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VIVA O FÁCIL

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O que é o amor? Aonde vai dar?
Segundo Caetano Veloso “... a gente nunca sabe o lugar certo de colocar o desejo”.
Mas há um lugar certo para se colocar o desejo?
O que fazer com as doidices do coração?
Coração não segue tijolos amarelos .
Há cada escolha, mil novas escolhas se nos apresentam.
Perdemos-nos com freqüência na busca incessante pelo mágico de nós porque temos a mania de querer sempre complicar as coisas.
Dizem alguns que coisa fácil não tem graça.
Perai...quer dizer que para ter graça tem que ser difícil?
Alguns seres humanos são complicadores.
Por que tudo não pode ser tão simples? Tudo natural?
Por que Ana Paula Arózio não pode simplesmente ligar para mim e me convidar para
jantar?
Será que se isso me acontecesse eu deveria dizer que minha agenda esta lotada e que
não vai dar, só para dificultar?
Veja o Dunga por exemplo. Bem que ele poderia ter convocado o Nilmar e o Ganso.
Mas não convocou. Por quê? Pra dificultar.
Precisamos aprender a valorizar o fácil.
O trabalho fácil.
A conquista fácil.
A mulher de vida fácil.
O difícil enche o saco.
Escalar pau-de-sebo todo dia é dose pra leão.
Tenho um amigo que não transa com mulher virgem que é para não ter trabalho.
Guimarães Rosa nos ensina: “Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí¬cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.”
Fácil, não é?
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HAITI. AI DE NÓS.

Está cada vez mais difícil saber onde pisamos. Não por falta de atenção, mas, simplesmente, porque não podemos precisar o que há embaixo dos nossos pés.

A escala de Richter foi desenvolvida em 1935 pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg, ambos membros do California Institute of Technology (Caltech), que estudavam sismos no sul da Califórnia, utilizando um equipamento específico - o sismógrafo Wood-Anderson. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, criaram um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas.

Por mais eficiente que seja esta escala, jamais ela poderá calcular o estrago que os terremotos fazem na vida das pessoas.

A natureza mostra ao homem quem manda. Coloca-o no seu devido lugar. Nada pode detê-la.

Talvez sabendo disso alguns politicos dão as costas ao problemas ecológicos.
Talvez sabendo disso George W. Bush não assinou o protocolo de Kyoto. Era um ecocético burro e arrogante.

São Francisco – cidade americana - está assentada sobre uma fenda que dizem – um dia – produzirá o Big One – um terremoto devastador. Segundo alguns geólocos esse terremoto poderá acontecer nos próximos 30 anos.O que o poderio econômico americano poderá fazer com este fenomeno? Nada, a não ser esperar e rezar.

Hoje a gente olha para o Haiti e pensa: e se fosse aqui?

Viver está ficando muito dificultoso – já dizia Diadorim. O ser humano que era muito futuro, agora está mais presente. Tudo é urgente. Tudo é “para ontem”. Os carros estão mais velozes. A vida mais rápida. É o medo. É o Haiti.

A morte – onde tudo acaba - já não é mais a pior coisa. A pior coisa é ficar vivo, quando tudo mais acaba.
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A FLOR DO DESERTO

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Outro dia estava assistindo na CNN uma reportagem sobre o filme A FLOR DO DESERTO, que conta a história da modelo africana Waris Dirie. O filme é uma denúncia de mutilação vaginal das mulheres somalis. A mutilação serve como rito de passagem. Os clitóris são mutilados com objetos rudimentares como facas, tesouras e até lascas de pedras, sem a mínima higiene.
Na reportagem aparecem imagens de um documentário onde mostrava como era feita a cerimônia. Impressionante ver o rosto da menina logo após ser mutilada, e os rostos das mulheres felizes que esperavam do lado de fora da tenda. Depois mostravam as partes arrancadas da menina juntamente com o sangue em uma espécie de esteira de couro.
A CNN também exibiu - do mesmo documentário – uma entrevista com uma doutora – não me lembro o nome – que defendia a permanência deste tipo de ritual. Dizia ela que ninguém tem o direito de meter o bedelho na cultura de um povo.
O que quero discutir aqui, não é o que é certo ou o que é errado. Não quero fazer nenhum julgamento cultural. O fato é que desde filme Nanook, o Esquimó, de Robert Flaherty, até Xingu - A Terra Mágica, de 1984, do diretor Washington Novaes, os documentaristas vem revelando mundos que nós jamais imaginávamos como era – até mesmo que existiam. Porém, o que acontece é que, quando essa realidade vai de encontro aos nossos valores, nós nos sentimos tão indignados com o que vemos que nos achamos no direito de intervir naquela realidade.
Os antropólogos dizem que – enquanto cientistas – não podem interferir na realidade local de um povo que está sendo pesquisado. Mas será que esta intervenção já não ocorre com a simples presença do cientista no local?
Uma sinopse do filme apresenta a seguinte descrição: (...) A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura.
Atente para “o lado grotesco da cultura”.
Herótodo já dizia: “Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo, aqueles que lhes parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e acabariam preferindo os próprios costumes, tão convencidos estão de que estes são melhores do que todos os outros”.
Montaigne afirmava: “(...) na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.
Na verdade, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas míopes quando se trata da nossa. Termino com uma citação de François Laplatine: “aquilo que os seres humanos têm em comum é sua capacidade para diferenciar uns dos outros, para elaborar costumes, línguas, modo de conhecimento, instituições, jogos profundamente diversos: pois se há algo natural nessa espécie particular que é a espécie humana, é sua aptidão à variedade cultural.”
Viva a diferença!

UMA CARTA DE AMOR PARA VOCÊ

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Dizem as boas línguas que a tecnologia aproxima as pessoas. Temos e-mail, Twitter, MSN, face book, Orkut, celular, webcam e o escambal. Tudo isso para ficarmos mais pertinho. O problema é: mais pertinho de quem cara pálida?

Estamos mais sós do que nunca nesse mundo de meu Deus. Cada um no seu PC.
O computador hoje em dia está substituindo a comunicação face a face. Somos siameses da mesma solidão. Estamos todos na rede. Juntos mais separados do que nunca.

Quero citar aqui um texto de Rubens Alves que li no livro de Margarida Maria Moura sobre a obra de Franz Boas:

“Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela os deixou. Bem pode ser que as coisas que nela estão escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo:
- Escrevo para que você fique sozinha .

É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade, pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono. (...) Nada diz sobre o presente do amante distante. Daí sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio. (...) A carta é paciente (...). Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento, presença sensível de uma felicidade invisível”

O mundo não escreve mais carta de amor.
Só um ridículo nunca escreveu uma carta de amor já dizia o poeta Álvaro de Campos:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935



Então, estamos vivendo num mundo ridículo. Frio como as teclas de um computador. Devassado pelo Google Earth. Fazendo sexo virtual (valei-me meu Jesus Cristinho amado). Aproximamos de nós cada vez mais o desconhecido, o alheio, o grande irmão.

Sinto saudades das cartas de amor. Sinto saudade de esperar por ela.Sinto saudades dos seres ridículos.

Hoje pessoas se relacionam pelo MSN – plin escreveu – plin – o outro já recebeu – plin o outro já respondeu – pli...plin...plin...plin...

Estamos agonizando. Vivendo cada vez mais rápido. Morrendo cada vez mais rápido. Claro que você caro leitor, inteligente como é, logo vai indagar: como assim, morremos cada vez mais rápido se hoje em dia o homem está vivendo mais? Bom, se você chama isso de vida, concordo.

É claro que sem toda esta tecnologia você não estaria lendo este texto agora. Realmente talvez não. Mas estaria lendo um livro, ou quem sabe uma poesia de Álvaro de Campos, que com certeza escreve bem melhor que eu.

É muito bom estar JUNTO de você de novo - desculpe a ousadia do gesto.

NEGÓCIO DE ESTADO

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Estou vendo Sergipe pipocando em greve. Greve de motoristas de ônibus, greve de policiais, greve de médicos, greve de professores, é greve que não acaba mais.
Ai você pode perguntar: como podem um estado governado por um político do PT, partido que teve sua gênese nos movimentos sindicais e uma cidade - Aracaju - que é governada por um prefeito que antes de ser eleito prefeito, foi vice-prefeito do prefeito que agora é governador e que também tem sua origem política nos movimentos sindicais - ou seja, de greve, eles entendem muito- suportarem tamanha traição?
Será que o Marcelo Déda governador é tão diferente do Marcelo Déda que encabeçava passeatas de protestos?
Será que o prefeito que hoje pede ilegalidade de greves é um clone do Edvaldo Nogueira que andava de braços dados com os trabalhadores marchando rumo a melhores salários?
Claro que não. Eles são os mesmos. Com os mesmos pensamentos. Com as mesmas opiniões. Mas, em posições diferentes.
É sabido que a lua de mel entre eleitores e os políticos eleitos só dura até o dia da posse.
Em minha opinião, é que agora, se trata de NEGÓCIO DE ESTADO.
Antes Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira lutavam pelos trabalhadores, mas tinham objetivos pessoais, basta ver onde eles estão agora. Hoje, os objetivos de ambos, por mais fisiologistas que possam vir a ser – o que eu particularmente não acredito – não são mais tão pessoais assim. Hoje eles são governador e prefeito respectivamente.
Todo mundo sabe que o poder desgasta. Sendo eles políticos profissionais, seria muita idiotice pensar que, não iriam atender as classes insatisfeitas com seus salários, por puro capricho. Político vive de imagem e ambos sabem muito bem disso - Marcelo Déda, mais que ninguém.
Então vejamos: partindo desde ponto, o melhor para eles seria dar o aumento que todo mundo está pedindo e pronto.
Mas, espera ai! Os cidadãos sergipanos não são apenas professores, médicos, policiais, etc. O governador e o prefeito não foram eleitos apenas por estas categorias e nem para administrar somente para elas. É ai que eu acho que vem o negócio de estado. O estado esta acima das vontades pessoais desses administradores. Se perguntarem para Marcelo Déda se ele gostaria de dar os aumentos que as categorias que estão protestando pedem e merecem receber, ele vai dizer que sim, e eu acredito. Se perguntar para o prefeito se ele se sente bem em ter que pedir para que uma greve seja declarada ilegal, ele vai dizer que não, o que eu também acredito.
Seria suicídio político não atender a estas categorias simplesmente por capricho.
Não podemos subestimar a potencialidade intelectual de ambos.
Os dois têm projetos políticos ambiciosos. Os dois querem continuar – de uma forma ou de outra – no poder ou com o poder. Aliás, político que não quer o poder, não é político.
Não venha amigo leitor perguntar pela minha procuração para defender a ambos.
Não é esta a proposta deste post.
A proposta é apenas uma reflexão a respeito destes fatos.
Não há aqui certo ou errado.
Meu amigo Gélio Albuquerque diz que a verdade é pessoal.
Salve a sua como quiser no seu Winchester.

KKKKKKKKKKKKK

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Ver a seleção brasileira levar um sufoco da seleção do Equador e empatar em 1 a 1: R$ 100,00 em uísque.
Assistir a vitória do Brasil sobre a sofrível seleção do Peru por apenas 3 a 0: R$ 50,00 em cerveja.
Saber que a seleção da Argentina levou um chocolate de 6 a 1 da Bolívia: NÃO TEM PREÇO!