É incrível como as pessoas continuam se comunicando mal.
Comunicação - de sentimentos - o ato que nos difere dos outros animais, continua sendo algo irrelevante para tanta gente.
Quantas pessoas se comunicam sem realmente se interessar em dizer algo, principalmente o que sentem.
Revisitando Lair Ribeiro em seu livro COMUNICAÇÃO GLOBAL A ARTE DA INFLUÊNCIA, temos o caminho e teimamos em não segui-lo.
Para Lair a comunicação é a mais básica e vital de todas as necessidades, depois da sobrevivência física.
Muita gente se esquece da importância de se comunicar bem.
Às vezes nos importamos tanto com o que dizemos que chegamos a esquecer o que e como as pessoas estão nos compreendendo.
Ainda em Lair Ribeiro descobrimos que “quanto mais a educação se faz através de palavras menos comunicativas as pessoas ficam”.
Segundo o mestre da neuroliguistica “ comunicação é arte e ciência. É impressionante o que se perde de energia no mundo, a cada dia, com os erros de comunicação. Memorandos mal escritos, explicações mal formuladas, recados mal transmitidos, solicitações mal-entendidas, conversações mal formuladas...Tudo isso provocando prejuízos econômicos, trabalhos recusados...esforços desperdiçados...conflitos pessoais...”
Talvez a máxima: se não gosta do que está recebendo, preste atenção do que está emitindo, ainda não tenha entrado na cabeça da maioria das pessoas.
Quando a mensagem não produz resultado é desperdício.
Quantas vezes você contou seus problemas para outras pessoas “porque precisava desabafar”.
Xiiiiii....detesto matemática, mas certos números nos encaminham para um nível de raciocínio muito lógico: 80% dos que escutam não estão nem ai; e 20% ficam felizes porque você tem problemas. Portanto, siga o conselho do mago, não perca tempo contanto seus problemas para os outros.
O velho guerreiro Chacrinha já dizia: “ quem não se comunica se trumbica”. Amigo, quem não se comunica bem, se arromba.
Comunicação é um poço de problemas.
Para nos ajudar a entender esse imbróglio vamos pedir a ajuda da psicóloga América Rodríguez de Allende:
Você desejaria aprender a se comunicar melhor? Em primeiro lugar, vejamos se podemos definir o que significa boa e má comunicação. A boa comunicação tem duas características: você expressa seus sentimentos de forma aberta e direta, e anima a outra pessoa a fazer o mesmo. Você explica como pensa e como se sente e tenta escutar e compreender o que a outra pessoa pensa e sente. De acordo com esta definição, as idéias e os sentimentos de ambas as pessoas são importantes.
Do mesmo modo que a boa comunicação implica tanto falar como escutar, a má comunicação implica a negação a compartilhar seus sentimentos abertamente ou a escutar o que a outra pessoa tem para nos dizer.
Adotar uma postura de discutir e ficar na defesa é um sinal de má comunicação. Um contradiz o outro sem tentar compreender seus sentimentos, projeta mensagens sutis que dizem: “Só me interessa divulgar meus próprios sentimentos e insistir em que você esteja de acordo comigo”.
Outro sinal de uma má comunicação é negar seus próprios sentimentos e mostrá-los de forma indireta, comportando-se de forma despectiva ou adotando um tom sarcástico. Isto é denominado “agressividade passiva”. A agressividade ativa é, igualmente, sinal de má comunicação, quando desafia a outra pessoa, a ameaça ou dá um ultimato.
A lista de “características de uma má comunicação” que, na seqüência, será descrita, esclarecerá o que você deve evitar para não entrar em conflito com alguém. É possível que reconheça diversos maus hábitos que podem criar alguns problemas. A mudança destas atitudes pode melhorar consideravelmente o modo de se relacionar com as outras pessoas e evitar consideráveis desgostos.
Características de uma má comunicação:
• RAZÃO: você insiste que tem razão e a outra pessoa está errada.
• CULPA: você afirma que a outra pessoa é a culpada de que tenha acontecido determinado problema. Não admite ter errado em alguma coisa, nem reconhece algum defeito.
• CONTRA-ATAQUE: em vez de reconhecer como a outra pessoa se sente, você responde à crítica dela, criticando-a.
• DESVIO: ao invés de se ocupar da situação que ambos estão vivendo no momento presente, você enumera toda uma lista de motivos de queixa sobre injustiças do passado.
Algumas mudanças de atitude:
• AFIRMAÇÕES DO TIPO “ME SINTO”: você expressa seus sentimentos com afirmações tipo “me sinto” (como, por exemplo, “me sinto preocupado”), mais do que com afirmações como “você” (por exemplo, “você está errado” ou “você está me deixando furioso”).
• TÉCNICA DO ELOGIO: você encontra algo realmente positivo para dizer à outra pessoa, até mesmo quando a discussão está no apogeu. Isto indica que respeita a outra pessoa apesar de ter divergências com ela.
Como podem perceber, é possível evitar muitos problemas entre duas pessoas, eliminando velhos vícios de comunicação. Lembrem-se de falar sempre na primeira pessoa, falar de seus sentimentos e de não jogar a culpa no outro.
Bem queridos (as) amigos (as), isso não é uma panacéia, mas, com certeza, pode ajudar e muito. Bom, pelo menos esta é a intenção deste post.
Seja feliz
SAUDADE DE VINICIUS DE MORAES
Hoje na quietude absoluta do meu esconderijo interferi abruptamente no meu tédio. Revisitei vários cd´s e dvd´s da minha coleção. De repente deparei com uma raridade que eu nem lembrava mais que tinha – um DVD com um show de Vinicius. Miucha, Tom Jobim e Toquinho – meu Deus que prazer.
Vinicius como de costume acompanhado por uma garrafa de uísque e fumando muito –naquela época não havia este patrulhamento que existe hoje em dia. Já pensou alguém chegar para Vinicius e dizer: Poetinha o seu show está cancelado porque não se pode fumar nesta casa?
Eu não fumo, mas sou a favor da liberdade que o ser humano tem de escolher como quer morrer.
Vendo Vinicius fumando daquele jeito lembrei-me do meu grande amigo Rafael Galvão. Já imaginou o Rafael escrevendo seu blog sem um cigarro do lado?
O cigarro para Vinicius era um companheiro inseparável, assim como o uísque, Toquinho e a poesia.
Calma, este post não é para fazer apologia ao cigarro é, simplesmente, para falar de um DVD com Vinicius de Morares.
Vinicius é uma lenda. Ele dizia que o homem não pode comer todas as mulheres do mundo, mas tem obrigação de tentar.
Lina Souza – das Moendas - que por muito tempo foi back vocal de Vinicius contava que ele tinha a mania de receber as pessoas intimas em sua casa no banheiro, mais precisamente na banheira.
Quem me apresentou a Vinicius de Moraes foi meu tio Zito. Homem fino, de bom gosto, corintiano - talvez eu deva rever o “bom gosto”. Estávamos no Guarujá. Foi exatamente no dia da morte do poetinha. Meu tio chorava indisfarçadamente . Pela comoção dele percebi o quanto ele amava Vinicius.
Meu tio Zito arranhava um violão e gostava de cantar baixinho, quase sussurrando. Como eu era criança não entendia porque ele cantava tão baixo. Só mais tarde descobri que ele era fã de João Gilberto – isso é bossa nova, isso é muito natural.
Um dia desses, enquanto tomava uma cerveja num bar da Aruana e tinha como back ground uma música horrível de um desses grupos - que até hoje eu não sei o ritmo que eles tocam, pois, ao meu ver, eles falam mais que cantam e uma música é igual a outra ou seja, é tudo uma merda só.
Gente, eu sei que gosto é igual nariz, que cada um tem o seu e blá blá blá. Mas, falando francamente, isso me fez pensar: bem que Vinicius poderia ressuscitar e nos tirar desse inferno musical, porque, ouvir estes grupos de rapsambarregode o tempo todo é triste. Como diz meu tio Zito: vai tomar na peida sô!
Vinicius como de costume acompanhado por uma garrafa de uísque e fumando muito –naquela época não havia este patrulhamento que existe hoje em dia. Já pensou alguém chegar para Vinicius e dizer: Poetinha o seu show está cancelado porque não se pode fumar nesta casa?
Eu não fumo, mas sou a favor da liberdade que o ser humano tem de escolher como quer morrer.
Vendo Vinicius fumando daquele jeito lembrei-me do meu grande amigo Rafael Galvão. Já imaginou o Rafael escrevendo seu blog sem um cigarro do lado?
O cigarro para Vinicius era um companheiro inseparável, assim como o uísque, Toquinho e a poesia.
Calma, este post não é para fazer apologia ao cigarro é, simplesmente, para falar de um DVD com Vinicius de Morares.
Vinicius é uma lenda. Ele dizia que o homem não pode comer todas as mulheres do mundo, mas tem obrigação de tentar.
Lina Souza – das Moendas - que por muito tempo foi back vocal de Vinicius contava que ele tinha a mania de receber as pessoas intimas em sua casa no banheiro, mais precisamente na banheira.
Quem me apresentou a Vinicius de Moraes foi meu tio Zito. Homem fino, de bom gosto, corintiano - talvez eu deva rever o “bom gosto”. Estávamos no Guarujá. Foi exatamente no dia da morte do poetinha. Meu tio chorava indisfarçadamente . Pela comoção dele percebi o quanto ele amava Vinicius.
Meu tio Zito arranhava um violão e gostava de cantar baixinho, quase sussurrando. Como eu era criança não entendia porque ele cantava tão baixo. Só mais tarde descobri que ele era fã de João Gilberto – isso é bossa nova, isso é muito natural.
Um dia desses, enquanto tomava uma cerveja num bar da Aruana e tinha como back ground uma música horrível de um desses grupos - que até hoje eu não sei o ritmo que eles tocam, pois, ao meu ver, eles falam mais que cantam e uma música é igual a outra ou seja, é tudo uma merda só.
Gente, eu sei que gosto é igual nariz, que cada um tem o seu e blá blá blá. Mas, falando francamente, isso me fez pensar: bem que Vinicius poderia ressuscitar e nos tirar desse inferno musical, porque, ouvir estes grupos de rapsambarregode o tempo todo é triste. Como diz meu tio Zito: vai tomar na peida sô!
VIVA O FÁCIL
O que é o amor? Aonde vai dar?
Segundo Caetano Veloso “... a gente nunca sabe o lugar certo de colocar o desejo”.
Mas há um lugar certo para se colocar o desejo?
O que fazer com as doidices do coração?
Coração não segue tijolos amarelos .
Há cada escolha, mil novas escolhas se nos apresentam.
Perdemos-nos com freqüência na busca incessante pelo mágico de nós porque temos a mania de querer sempre complicar as coisas.
Dizem alguns que coisa fácil não tem graça.
Perai...quer dizer que para ter graça tem que ser difícil?
Alguns seres humanos são complicadores.
Por que tudo não pode ser tão simples? Tudo natural?
Por que Ana Paula Arózio não pode simplesmente ligar para mim e me convidar para
jantar?
Será que se isso me acontecesse eu deveria dizer que minha agenda esta lotada e que
não vai dar, só para dificultar?
Veja o Dunga por exemplo. Bem que ele poderia ter convocado o Nilmar e o Ganso.
Mas não convocou. Por quê? Pra dificultar.
Precisamos aprender a valorizar o fácil.
O trabalho fácil.
A conquista fácil.
A mulher de vida fácil.
O difícil enche o saco.
Escalar pau-de-sebo todo dia é dose pra leão.
Tenho um amigo que não transa com mulher virgem que é para não ter trabalho.
Guimarães Rosa nos ensina: “Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí¬cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.”
Fácil, não é?
Segundo Caetano Veloso “... a gente nunca sabe o lugar certo de colocar o desejo”.
Mas há um lugar certo para se colocar o desejo?
O que fazer com as doidices do coração?
Coração não segue tijolos amarelos .
Há cada escolha, mil novas escolhas se nos apresentam.
Perdemos-nos com freqüência na busca incessante pelo mágico de nós porque temos a mania de querer sempre complicar as coisas.
Dizem alguns que coisa fácil não tem graça.
Perai...quer dizer que para ter graça tem que ser difícil?
Alguns seres humanos são complicadores.
Por que tudo não pode ser tão simples? Tudo natural?
Por que Ana Paula Arózio não pode simplesmente ligar para mim e me convidar para
jantar?
Será que se isso me acontecesse eu deveria dizer que minha agenda esta lotada e que
não vai dar, só para dificultar?
Veja o Dunga por exemplo. Bem que ele poderia ter convocado o Nilmar e o Ganso.
Mas não convocou. Por quê? Pra dificultar.
Precisamos aprender a valorizar o fácil.
O trabalho fácil.
A conquista fácil.
A mulher de vida fácil.
O difícil enche o saco.
Escalar pau-de-sebo todo dia é dose pra leão.
Tenho um amigo que não transa com mulher virgem que é para não ter trabalho.
Guimarães Rosa nos ensina: “Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí¬cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.”
Fácil, não é?
HAITI. AI DE NÓS.
Está cada vez mais difícil saber onde pisamos. Não por falta de atenção, mas, simplesmente, porque não podemos precisar o que há embaixo dos nossos pés.
A escala de Richter foi desenvolvida em 1935 pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg, ambos membros do California Institute of Technology (Caltech), que estudavam sismos no sul da Califórnia, utilizando um equipamento específico - o sismógrafo Wood-Anderson. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, criaram um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas.
Por mais eficiente que seja esta escala, jamais ela poderá calcular o estrago que os terremotos fazem na vida das pessoas.
A natureza mostra ao homem quem manda. Coloca-o no seu devido lugar. Nada pode detê-la.
Talvez sabendo disso alguns politicos dão as costas ao problemas ecológicos.
Talvez sabendo disso George W. Bush não assinou o protocolo de Kyoto. Era um ecocético burro e arrogante.
São Francisco – cidade americana - está assentada sobre uma fenda que dizem – um dia – produzirá o Big One – um terremoto devastador. Segundo alguns geólocos esse terremoto poderá acontecer nos próximos 30 anos.O que o poderio econômico americano poderá fazer com este fenomeno? Nada, a não ser esperar e rezar.
Hoje a gente olha para o Haiti e pensa: e se fosse aqui?
Viver está ficando muito dificultoso – já dizia Diadorim. O ser humano que era muito futuro, agora está mais presente. Tudo é urgente. Tudo é “para ontem”. Os carros estão mais velozes. A vida mais rápida. É o medo. É o Haiti.
A morte – onde tudo acaba - já não é mais a pior coisa. A pior coisa é ficar vivo, quando tudo mais acaba.
Está cada vez mais difícil saber onde pisamos. Não por falta de atenção, mas, simplesmente, porque não podemos precisar o que há embaixo dos nossos pés.
A escala de Richter foi desenvolvida em 1935 pelos sismólogos Charles Francis Richter e Beno Gutenberg, ambos membros do California Institute of Technology (Caltech), que estudavam sismos no sul da Califórnia, utilizando um equipamento específico - o sismógrafo Wood-Anderson. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, criaram um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas.
Por mais eficiente que seja esta escala, jamais ela poderá calcular o estrago que os terremotos fazem na vida das pessoas.
A natureza mostra ao homem quem manda. Coloca-o no seu devido lugar. Nada pode detê-la.
Talvez sabendo disso alguns politicos dão as costas ao problemas ecológicos.
Talvez sabendo disso George W. Bush não assinou o protocolo de Kyoto. Era um ecocético burro e arrogante.
São Francisco – cidade americana - está assentada sobre uma fenda que dizem – um dia – produzirá o Big One – um terremoto devastador. Segundo alguns geólocos esse terremoto poderá acontecer nos próximos 30 anos.O que o poderio econômico americano poderá fazer com este fenomeno? Nada, a não ser esperar e rezar.
Hoje a gente olha para o Haiti e pensa: e se fosse aqui?
Viver está ficando muito dificultoso – já dizia Diadorim. O ser humano que era muito futuro, agora está mais presente. Tudo é urgente. Tudo é “para ontem”. Os carros estão mais velozes. A vida mais rápida. É o medo. É o Haiti.
A morte – onde tudo acaba - já não é mais a pior coisa. A pior coisa é ficar vivo, quando tudo mais acaba.
A FLOR DO DESERTO
Outro dia estava assistindo na CNN uma reportagem sobre o filme A FLOR DO DESERTO, que conta a história da modelo africana Waris Dirie. O filme é uma denúncia de mutilação vaginal das mulheres somalis. A mutilação serve como rito de passagem. Os clitóris são mutilados com objetos rudimentares como facas, tesouras e até lascas de pedras, sem a mínima higiene.
Na reportagem aparecem imagens de um documentário onde mostrava como era feita a cerimônia. Impressionante ver o rosto da menina logo após ser mutilada, e os rostos das mulheres felizes que esperavam do lado de fora da tenda. Depois mostravam as partes arrancadas da menina juntamente com o sangue em uma espécie de esteira de couro.
A CNN também exibiu - do mesmo documentário – uma entrevista com uma doutora – não me lembro o nome – que defendia a permanência deste tipo de ritual. Dizia ela que ninguém tem o direito de meter o bedelho na cultura de um povo.
O que quero discutir aqui, não é o que é certo ou o que é errado. Não quero fazer nenhum julgamento cultural. O fato é que desde filme Nanook, o Esquimó, de Robert Flaherty, até Xingu - A Terra Mágica, de 1984, do diretor Washington Novaes, os documentaristas vem revelando mundos que nós jamais imaginávamos como era – até mesmo que existiam. Porém, o que acontece é que, quando essa realidade vai de encontro aos nossos valores, nós nos sentimos tão indignados com o que vemos que nos achamos no direito de intervir naquela realidade.
Os antropólogos dizem que – enquanto cientistas – não podem interferir na realidade local de um povo que está sendo pesquisado. Mas será que esta intervenção já não ocorre com a simples presença do cientista no local?
Uma sinopse do filme apresenta a seguinte descrição: (...) A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura.
Atente para “o lado grotesco da cultura”.
Herótodo já dizia: “Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo, aqueles que lhes parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e acabariam preferindo os próprios costumes, tão convencidos estão de que estes são melhores do que todos os outros”.
Montaigne afirmava: “(...) na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.
Na verdade, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas míopes quando se trata da nossa. Termino com uma citação de François Laplatine: “aquilo que os seres humanos têm em comum é sua capacidade para diferenciar uns dos outros, para elaborar costumes, línguas, modo de conhecimento, instituições, jogos profundamente diversos: pois se há algo natural nessa espécie particular que é a espécie humana, é sua aptidão à variedade cultural.”
Viva a diferença!
Na reportagem aparecem imagens de um documentário onde mostrava como era feita a cerimônia. Impressionante ver o rosto da menina logo após ser mutilada, e os rostos das mulheres felizes que esperavam do lado de fora da tenda. Depois mostravam as partes arrancadas da menina juntamente com o sangue em uma espécie de esteira de couro.
A CNN também exibiu - do mesmo documentário – uma entrevista com uma doutora – não me lembro o nome – que defendia a permanência deste tipo de ritual. Dizia ela que ninguém tem o direito de meter o bedelho na cultura de um povo.
O que quero discutir aqui, não é o que é certo ou o que é errado. Não quero fazer nenhum julgamento cultural. O fato é que desde filme Nanook, o Esquimó, de Robert Flaherty, até Xingu - A Terra Mágica, de 1984, do diretor Washington Novaes, os documentaristas vem revelando mundos que nós jamais imaginávamos como era – até mesmo que existiam. Porém, o que acontece é que, quando essa realidade vai de encontro aos nossos valores, nós nos sentimos tão indignados com o que vemos que nos achamos no direito de intervir naquela realidade.
Os antropólogos dizem que – enquanto cientistas – não podem interferir na realidade local de um povo que está sendo pesquisado. Mas será que esta intervenção já não ocorre com a simples presença do cientista no local?
Uma sinopse do filme apresenta a seguinte descrição: (...) A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura.
Atente para “o lado grotesco da cultura”.
Herótodo já dizia: “Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo, aqueles que lhes parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e acabariam preferindo os próprios costumes, tão convencidos estão de que estes são melhores do que todos os outros”.
Montaigne afirmava: “(...) na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.
Na verdade, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas míopes quando se trata da nossa. Termino com uma citação de François Laplatine: “aquilo que os seres humanos têm em comum é sua capacidade para diferenciar uns dos outros, para elaborar costumes, línguas, modo de conhecimento, instituições, jogos profundamente diversos: pois se há algo natural nessa espécie particular que é a espécie humana, é sua aptidão à variedade cultural.”
Viva a diferença!
UMA CARTA DE AMOR PARA VOCÊ
Dizem as boas línguas que a tecnologia aproxima as pessoas. Temos e-mail, Twitter, MSN, face book, Orkut, celular, webcam e o escambal. Tudo isso para ficarmos mais pertinho. O problema é: mais pertinho de quem cara pálida?
Estamos mais sós do que nunca nesse mundo de meu Deus. Cada um no seu PC.
O computador hoje em dia está substituindo a comunicação face a face. Somos siameses da mesma solidão. Estamos todos na rede. Juntos mais separados do que nunca.
Quero citar aqui um texto de Rubens Alves que li no livro de Margarida Maria Moura sobre a obra de Franz Boas:
“Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela os deixou. Bem pode ser que as coisas que nela estão escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo:
- Escrevo para que você fique sozinha .
É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade, pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono. (...) Nada diz sobre o presente do amante distante. Daí sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio. (...) A carta é paciente (...). Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento, presença sensível de uma felicidade invisível”
O mundo não escreve mais carta de amor.
Só um ridículo nunca escreveu uma carta de amor já dizia o poeta Álvaro de Campos:
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Então, estamos vivendo num mundo ridículo. Frio como as teclas de um computador. Devassado pelo Google Earth. Fazendo sexo virtual (valei-me meu Jesus Cristinho amado). Aproximamos de nós cada vez mais o desconhecido, o alheio, o grande irmão.
Sinto saudades das cartas de amor. Sinto saudade de esperar por ela.Sinto saudades dos seres ridículos.
Hoje pessoas se relacionam pelo MSN – plin escreveu – plin – o outro já recebeu – plin o outro já respondeu – pli...plin...plin...plin...
Estamos agonizando. Vivendo cada vez mais rápido. Morrendo cada vez mais rápido. Claro que você caro leitor, inteligente como é, logo vai indagar: como assim, morremos cada vez mais rápido se hoje em dia o homem está vivendo mais? Bom, se você chama isso de vida, concordo.
É claro que sem toda esta tecnologia você não estaria lendo este texto agora. Realmente talvez não. Mas estaria lendo um livro, ou quem sabe uma poesia de Álvaro de Campos, que com certeza escreve bem melhor que eu.
É muito bom estar JUNTO de você de novo - desculpe a ousadia do gesto.
Estamos mais sós do que nunca nesse mundo de meu Deus. Cada um no seu PC.
O computador hoje em dia está substituindo a comunicação face a face. Somos siameses da mesma solidão. Estamos todos na rede. Juntos mais separados do que nunca.
Quero citar aqui um texto de Rubens Alves que li no livro de Margarida Maria Moura sobre a obra de Franz Boas:
“Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela os deixou. Bem pode ser que as coisas que nela estão escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo:
- Escrevo para que você fique sozinha .
É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade, pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono. (...) Nada diz sobre o presente do amante distante. Daí sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio. (...) A carta é paciente (...). Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento, presença sensível de uma felicidade invisível”
O mundo não escreve mais carta de amor.
Só um ridículo nunca escreveu uma carta de amor já dizia o poeta Álvaro de Campos:
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Então, estamos vivendo num mundo ridículo. Frio como as teclas de um computador. Devassado pelo Google Earth. Fazendo sexo virtual (valei-me meu Jesus Cristinho amado). Aproximamos de nós cada vez mais o desconhecido, o alheio, o grande irmão.
Sinto saudades das cartas de amor. Sinto saudade de esperar por ela.Sinto saudades dos seres ridículos.
Hoje pessoas se relacionam pelo MSN – plin escreveu – plin – o outro já recebeu – plin o outro já respondeu – pli...plin...plin...plin...
Estamos agonizando. Vivendo cada vez mais rápido. Morrendo cada vez mais rápido. Claro que você caro leitor, inteligente como é, logo vai indagar: como assim, morremos cada vez mais rápido se hoje em dia o homem está vivendo mais? Bom, se você chama isso de vida, concordo.
É claro que sem toda esta tecnologia você não estaria lendo este texto agora. Realmente talvez não. Mas estaria lendo um livro, ou quem sabe uma poesia de Álvaro de Campos, que com certeza escreve bem melhor que eu.
É muito bom estar JUNTO de você de novo - desculpe a ousadia do gesto.
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